Objetivos:
- Avaliar o conhecimento e atitudes em relação à obesidade na população adulta portuguesa;
- Avaliar o nível de literacia em saúde na população adulta portuguesa;
- Explorar diferenças no conhecimento, atitudes e nível de literacia em saúde entre indivíduos com e sem obesidade;
- Analisar a influência de fatores socioeconómicos e demográficos e de saúde no conhecimento, atitudes e nível de literacia em saúde;
Principais Resultados:
A principal conclusão do estudo: Embora 35,5% da amostra total tenha critérios de obesidade, apenas 20,4% reporta ter a doença — este dado revela um hiato de perceção.
Amostra
- Foram obtidas 3333 respostas válidas. A amostra é maioritariamente do sexo feminino (85,4%), com uma idade média de 49 anos. Caracteriza-se por um elevado nível de escolaridade (79,7% com ensino superior) e uma elevada taxa de emprego (76,1% trabalha a tempo inteiro).
Conhecimento sobre a doença
- 90,7% dos inquiridos reconhecem a obesidade como uma doença crónica que requer tratamento, mas existe uma lacuna significativa no conhecimento de qual o critério para este diagnóstico: menos de metade (47,5%) sabe que o critério é ter um IMC ≥ 30. Cerca de 24% reconhece que “não sabe” qual o critério.
- Foram encontrados níveis mais baixos de conhecimento em relação à obesidade no subgrupo de pessoas com obesidade, em comparação com o subgrupo de pessoas sem obesidade.
Atitudes em relação à obesidade
- Perceção de discriminação: As pessoas com obesidade (em comparação com as pessoas sem obesidade) percecionam um maior nível de discriminação contra as pessoas com obesidade em Portugal;
- Probabilidade de dar emprego: As pessoas com obesidade (em comparação com as pessoas sem obesidade) relataram maior probabilidade de empregar uma pessoa com obesidade;
- Interações sociais: As pessoas com obesidade (em comparação com as pessoas sem obesidade) relataram maior probabilidade de ter um encontro com uma pessoa com obesidade.
Literacia em Saúde
- Comparativo geral: Pessoas com obesidade apresentam níveis de literacia em saúde “tendencialmente mais baixos”.
- Níveis Problemáticos/Inadequados: 54,1% do grupo com obesidade apresenta um nível de literacia em saúde “Problemático” ou “Inadequado”. No grupo sem obesidade, este valor desce para 39,9%.
Um maior nível de literacia em saúde está correlacionado com:
- Maior rendimento e nível educacional
- Menor IMC e maior nível de conhecimento sobre obesidade
- Melhor perceção da saúde geral e mental e de qualidade de vida
Conclusões e Implicações
- Pessoas com obesidade apresentam níveis de Literacia em Saúde tendencialmente mais baixos. Além disso, existe um hiato crítico entre a realidade clínica da obesidade em Portugal e a perceção dos cidadãos, com 1 em cada 7 pessoas com obesidade a não reconhecer que tem a doença.
- Este estudo revela que os baixos níveis de literacia em saúde são uma barreira fundamental para uma melhor saúde e controlo da doença, especialmente na população que vive com obesidade.
- Os resultados reforçam a necessidade urgente de integrar a promoção da Literacia em Saúde nas estratégias de Saúde Pública, especialmente no que diz respeito à prevenção e gestão da obesidade, capacitando os cidadãos para que possam tomar decisões mais acertadas e informadas sobre a sua saúde, contribuindo para um melhor controlo da obesidade e melhores resultados em saúde.