2013/2014

Aplicação em Portugal do Questionário Europeu de Literacia em Saúde

Este questionário mede a capacidade das pessoas acederem, compreenderem, analisarem e utilizarem a informação de saúde de forma a tomarem decisões informadas que lhes permitam manter uma boa condição de saúde, prevenir doenças e procurar tratamento adequado em caso de doença. A análise dos dados obtidos através da aplicação do Questionário Europeu, permitiu, pela primeira vez, fazer o diagnóstico do nível de literacia em saúde dos portugueses.

Objetivos

  • Compreender o nível de conhecimento dos portugueses sobre questões relacionadas com saúde e prevenção de doença, com a possibilidade de comparação com outros países (Espanha, Irlanda, Holanda, Alemanha, Áustria, Grécia, Polónia e Bulgária);
  • Estabelecer as bases para direcionar e alinhar melhor as estratégias e intervenções nacionais e internacionais de literacia em saúde;
  • Facilitar o desenvolvimento de estratégias eficientes para uma melhoria significativa nesta matéria, de forma a promover um maior conhecimento dos temas e constituir um conjunto de conclusões práticas que podem servir de suporte à gestão estratégica e à decisão política na área da Saúde.

Principais Conclusões

Em Portugal, cerca de 61% da população inquirida apresenta um nível de literacia geral em saúde problemático ou inadequado, situando-se a média dos nove países em 49,2%. Em pior situação que os portugueses só se encontram os búlgaros que revelam que 62,1% da população deste país apresenta níveis de literacia em saúde problemáticos ou inadequados. No polo oposto está a Holanda, país em que esta percentagem é de apenas 28,7%.

No que respeita à Prevenção da Doença, apenas cerca de 45% dos inquiridos revela ter um nível suficiente ou excelente de literacia em saúde, comparativamente com a média dos nove países, que nesta dimensão, apresenta o valor de 54,5%.

No que se refere à Promoção da Saúde, 60,2% da população inquirida apresenta um nível de literacia em saúde problemático ou inadequado. Comparativamente, a Bulgária apresenta, nesta dimensão, um nível de promoção da saúde problemático ou inadequado de 70,3%, sendo que a Irlanda e a Holanda, os países com os melhores resultados a este nível, apresentam 40,6% e 36,3%, respetivamente.

É na dimensão Cuidados de Saúde que se destacam os valores mais preocupantes, visto ser, dos 9 países, aquele onde se verificam os piores resultados. Apenas 44,2% apresenta um nível suficiente ou excelente de literacia em saúde.

A análise dos resultados revela que existem problemas de literacia em Saúde quando analisados os grupos com algumas características sociais específicas. Nas quatro subdimensões de literacia em saúde analisadas (capacidade das pessoas acederem, compreenderem, analisarem e utilizarem a informação de saúde) verifica-se uma tendência decrescente dos seus níveis quando cruzados com os grupos etários – à medida que a idade aumenta o nível de literacia em saúde diminui.

Por outro lado, observa-se tendencialmente o inverso no que diz respeito ao nível de escolaridade – à medida que o nível de escolaridade aumenta os níveis de literacia em saúde tendem a ser superiores.

Apesar destas tendências, os resultados do questionário revelam que não são somente os grupos vulneráveis que apresentam níveis inadequados de literacia em saúde, mas sim a população em geral.

Grupo de Peritos

Ana Escoval; Ana Rita Pedro; Carla Nunes; Daniel Marques da Silva; Odete Amaral; Carlos Pereira; Ana Barros Pires; Cláudia Quaresma; Carlota Vieira; Rui Pimenta; Carminda Morais; Mara Rocha; Felismina Mendes; Manuel Lopes; Victor Assunção; Pedro Lopes Ferreira; Filipe Nave; Margarida Eiras; Dora Cruz; Helena Jardim; Luís Miguel Gomes; Rafaela Gomes

Rede Académica

A aplicação em Portugal do Questionário Europeu de Literacia em Saúde contou com a colaboração de 12 escolas de Saúde de Portugal continental e ilhas. Este apoio cientifico ao desenvolvimento do projeto, denominada de “Rede Académica”, responsabilizou-se pela aplicação regional do referido questionário.

  • Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa;
  • Centro de Investigação em Ciências e Tecnologias da Saúde da Universidade de Évora;
  • Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Portalegre;
  • Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Instituto Politécnico do Porto;
  • Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Viana do Castelo;
  • Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Viseu;
  • Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Beja;
  • Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra;
  • Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Instituto Politécnico de Lisboa;
  • Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo da Universidade dos Açores;
  • Centro de Competência Tecnologias da Saúde da Universidade da Madeira;
  • Escola Superior de Saúde da Universidade do Algarve.